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Eu havia chegado ao meu limite. Limite da dor, da paciência, da força.

Sem saber como resolver a fadiga constante e a dor generalizada, resolvi triturar todos os meus exames médicos. Bati foto dos mais importantes e destruí todo restante.

Nesse processo, encontrei novas pistas.

Pistas que me levaram a esperança de um diagnóstico.

As lágrimas de alegria e alivio corriam pelo rosto. Além do limite, eu havia encontrado a resposta que buscara por quase 28 anos.

Mas eu não poderia ter a certeza sem um diagnóstico médico.

Decidi consultar o melhor especialista em reumatologia que encontrasse e eis que me deparei com a sala de espera do então presidente nacional da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

Enquanto aguardava minha vez, sentia o alívio da certeza que eu não era louca.

Ao contrário de todos os meus exames médicos, que acusavam plena saúde, existia em mim algo que me impedia de viver uma vida mais leve e tranquila.

Depois de uma hora de consulta, enfim o diagnóstico de fibromialgia foi confirmado.

Um misto de emoções me invadiu. Chorei de alegria e ao mesmo tempo de medo.

De alegria por ter chegado à um diagnóstico de síndrome tratável e de medo por não saber como agir no tratamento.

Metade de mim sorria e outra gritava.

É comum que pessoas com fibromialgia passem anos sem um diagnóstico. Foi meu caso. Passei anos com dores, sintomas e sem uma conclusão real das causas ou gatilhos.

A consulta aconteceu no dia 02 de julho de 2020, em plena pandemia de COVID 19 e foi quando me vi mais frágil e mais forte. Enquanto o mundo lutava contra uma doença invisível, eu saia da luta invisível para o factível, o real e o material.

O diagnóstico jogava luz em toda escuridão.

Durante todos os anos no escuro, fui julgada e rotulada como hipocondríaca. Me diziam que era um problema emocional, psicossomático e crônico. Que eu deveria seguir em frente e ignorar os sintomas.

Como era bom finalmente dizer: Não! Não é emocional, não é psicossomático!

O médico acredita que a síndrome foi “disparada” aos 7 anos de idade, depois de um grave acidente automobilístico, no qual machuquei o braço e punho esquerdo. Perdi muito sangue e fui hospitalizada junto com familiares.

Aquele acidente marcou profundamente todos nós, mas eu cresci como se não houvessem traumas. Engolindo sentimentos como raiva, tristeza, alegria, frustração, entre outros.

Me tornei uma mulher cheia de armaduras e “forte” e o diagnóstico pôs em xeque toda essa construção heroica.

Após o diagnóstico, me vi desconstruída, vulnerável, fraca e a máscara caiu.    

 O momento em que a máscara cai 

Imagem criada com Inteligência Artificial (IA)

Durante muito tempo, acreditei que coragem era sinônimo de controle. Que ser forte era não deixar transparecer dor alguma.

Mas chega um momento — e ele chega para todos — em que o corpo, a alma ou a vida simplesmente não sustentam mais a máscara.

É aí que algo dentro de nós desaba.

E, paradoxalmente, é nesse mesmo instante que o verdadeiro eu começa a nascer.

A vulnerabilidade é o ponto de virada.

Não é sobre desistir da força, mas sobre redefinir o que ela significa.

Porque força não é resistir ao caos — é atravessá-lo sem perder a ternura.

As pessoas costumam admirar quem parece invencível. Mas amam — de verdade — quem se permite ser humano.

E essa é a chave que muda tudo: quando paramos de viver tentando ser admirados e começamos a viver buscando ser conectados. 

 As imperfeições que nos tornam reais 

Imagem criada com Inteligência Artificial (IA)

Há uma beleza silenciosa em quem carrega cicatrizes.

Elas contam histórias que os lábios não conseguem dizer — histórias de quedas, esperas, tentativas e recomeços.

A cultura da performance quer nos inteiros, impecáveis, editados.

Mas a verdade é que nada se conecta no perfeito.

A perfeição afasta. A imperfeição aproxima.

Os japoneses têm uma arte chamada kintsugi — consertam cerâmicas quebradas com ouro.

Eles não escondem as rachaduras. As destacam.

Porque acreditam que aquilo que foi quebrado, quando curado com cuidado, se torna ainda mais valioso.

Somos todos assim: fragmentos colados pela vida, aprendendo a carregar o ouro das nossas falhas.

E talvez a beleza maior esteja exatamente nisso — no brilho que nasce das partes que já se partiram. 

 Quando o medo fala mais alto 

Imagem criada com Inteligência Artificial (IA)

O medo é uma sombra que sussurra.

“E se não der certo?”

“E se te julgarem?”

“E se doer demais?”

Mas o medo, no fundo, é só o amor tentando nos proteger.

Ele quer evitar que nos machuquemos outra vez.

Só que, quando deixamos o medo dirigir, ele não nos protege — ele nos paralisa.

Coragem não é ausência de medo.

É decidir caminhar mesmo tremendo.

É entender que a dor faz parte, mas o arrependimento é muito pior.

Em silêncio, nasce o impulso da mudança.

O momento em que você respira fundo e diz: eu vou assim mesmo.

Com medo. Com dúvida. Com o coração batendo forte — mas indo.

E é nesse instante, quase invisível, que a vida começa a se mover de novo

A vulnerabilidade como caminho de poder

 

Um dia você entende: não precisa provar nada pra ninguém.

Nem pra sociedade, nem pro algoritmo, nem pra essa versão idealizada de você que mora na sua cabeça.

Ser vulnerável não é se expor por fraqueza — é se revelar por coragem.

É um ato de resistência num mundo que vende filtros pra cada ferida.

Quando você fala sobre suas dores, algo mágico acontece:

O outro se vê em você.

E o que antes era vergonha se transforma em ponte.

A vulnerabilidade cria laços reais.

Ela transforma trabalho em propósito, seguidores em comunidade, e rotina em missão.

Porque é só quando você se mostra por inteiro que o outro sente que pode se mostrar também.

No fim, não é sobre parecer forte.

É sobre viver em verdade. 

 O retorno à essência 

Imagem criada com Inteligência Artificial (IA)

 No início, eu achava que precisava ser forte pra enfrentar o mundo.

Hoje, entendo que só precisava ser honesta comigo mesma. 

A vulnerabilidade não me tirou o poder — me devolveu a humanidade.

E é dela que nasce o poder mais raro: o de viver sem fingir.

A força que o mundo me ensinou era dura, silenciosa, solitária.

A força que eu descobri agora é macia, transparente e livre.

As cicatrizes deixadas no braço são as marcas de que eu sobrevivi e que é hora de parar de sobreviver e começar a viver e ser feliz de verdade.

Escolho a minha humanidade, a imperfeição e o caminho da coragem.

Escolho abraçar a minha vulnerabilidade como minha maior força. 

💭Pense bem!

 

Ser vulnerável é voltar pra casa.

É olhar suas cicatrizes e entender que elas não são o fim da história — são o mapa que te trouxe até aqui.

E, talvez, o que o mundo mais precise hoje não sejam pessoas perfeitas…

Mas pessoas dispostas a aparecer como são.

Talvez a vulnerabilidade nunca tenha sido um sinal de fraqueza — mas um lembrete silencioso de que ainda estamos vivos.

De que, apesar de tudo, o coração ainda pulsa, o corpo ainda tenta, e a alma ainda sonha.

Você não precisa mais ser a versão inquebrável de si mesmo(a).

Pode apenas ser — inteiro(a), imperfeito(a), vivo(a).

Porque, no fim, é nessa entrega que mora a verdadeira força: 

A coragem de continuar, mesmo quando o corpo grita e a vida treme — mas o amor por viver ainda fala mais alto.

Excelente semana!

Obrigada por chegar até aqui!

Ouse perguntar, ouse viver!

Forte abraço,

📩 Sobre a Newsletter Dose de Coragem

️ Escrita por Lúcia Madeira compartilhando experiências pessoais ao redor dos temas: Autenticidade, Vulnerabilidade e Coragem.

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