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Imagem criada com inteligência artificial (IA)

Nos últimos meses, eu reduzi o passo por aqui.

O que antes vinha com velocidade, paixão e entusiasmo começou a pesar. Não parei de vez, mas perdi o foco. Perdi a linha. Fui ficando mais distante.

O medo de investir tempo, energia e recursos em algo que talvez só desse certo dentro da minha cabeça me fez frear.

E aí veio a pergunta: “era perfeccionismo falando alto ou autossabotagem tentando me impedir de crescer?”

Talvez os dois.

Porque, quando temos medo, raramente desaparecemos de uma vez.

A gente some aos poucos.

Adia. Atrasa. Esquece. Responde depois. Deixa para amanhã.

Mas talvez esse sumiço não seja falta de vontade.

Talvez seja medo de sustentar uma nova identidade.

Dar errado confirma quem você já conhece.

Dar certo exige que você vire alguém que ainda não sabe ser.

E isso assusta.

Porque crescer não pede só esforço.

Pede permanência.

Pede que você continue aparecendo mesmo quando a mente tenta negociar uma fuga elegante. Mesmo quando ela diz: “não é o momento”, “precisa melhorar”, “talvez ninguém ligue”.

Só que, às vezes, o próximo passo não precisa ser grande.

Precisa apenas existir. 

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Dar certo também assusta

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A gente fala muito sobre o medo de fracassar.

Mas quase ninguém fala sobre o medo de dar certo.

Porque o fracasso, por mais dolorido que seja, ainda mora em um território conhecido. Ele dói, mas confirma uma narrativa antiga. Aquela voz que diz: “Está vendo? Eu sabia. Talvez não fosse para mim. Talvez eu não estivesse pronta. Talvez eu tenha sonhado alto demais.

Dar errado machuca.

Mas nem sempre transforma a sua identidade.

Dar certo, sim.

Quando algo começa a funcionar, você não consegue mais se esconder com a mesma facilidade. Você precisa sustentar. Precisa responder. Precisa aparecer outra vez. Precisa continuar não apenas no dia em que está inspirada, mas também no dia comum, inseguro, silencioso.

E talvez seja isso que assuste.

Não é só o trabalho que vem com o crescimento.

É a pessoa que você precisa se tornar para permanecer nele.

Enquanto um desejo vive apenas dentro da sua cabeça, ele ainda é seguro. Você pode visitar essa ideia quando quiser. Pode imaginar como seria. Pode alimentar o sonho sem precisar lidar com as consequências dele.

Mas quando a vida começa a responder, o sonho deixa de ser fantasia.

Ele vira convite. E convite pede resposta.

De repente, aquilo que você dizia querer começa a olhar de volta para você.

O projeto anda. A mensagem chega. A oportunidade aparece. Alguém presta atenção. Alguém se interessa. Alguém espera mais.

E, em vez de comemorar, uma parte sua congela.

Porque crescer expõe.

Crescer tira você do campo confortável do “um dia” e coloca você no território real do “agora”.

Agora você precisa decidir, aparecer, bancar o que dizia desejar quando ninguém estava olhando.

E, para uma pessoa hiperpensante, isso pode virar um labirinto.

A mente começa a calcular tudo e a autossabotagem entra pela porta dos fundos.

Ela não aparece como destruição, aparece como adiamento.

Como silêncio.

Como distração.

E é por isso que ela é tão traiçoeira.

Porque a autossabotagem mais perigosa não parece autossabotagem, parece perfeccionismo e cuidado.

Mas, às vezes, o momento certo é só o esconderijo preferido do medo. 

Permanecer é voltar

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Crescer não pede só intensidade, pede permanência.

E permanência é menos glamourosa do que recomeço.

Recomeço tem energia de cena de filme. Tem trilha sonora. Tem promessa. Tem plano novo. Tem a sensação deliciosa de que, agora sim, tudo vai mudar.

Permanência é mais silenciosa.

É abrir o documento de novo.

É cumprir quinze minutos.

É continuar mesmo sem fogos.

Talvez a gente confunda crescer com performar crescimento.

Como se voltar exigisse uma versão mais forte, mais pronta, mais curada, mais organizada, mais brilhante.

Mas presença não precisa ser brilhante, precisa ser honesta.

Às vezes, a coisa mais madura que você pode fazer é voltar pequena.

Sem anúncio, sem drama e sem esperar sentir a confiança perfeita.

Só voltar.

Porque o oposto de sumir nem sempre é aparecer com força total.

Às vezes, o oposto de sumir é apenas não abandonar o próximo gesto.

Quinze minutos fazendo aquilo que você está evitando.

Uma resposta que ficou pendente.

Uma decisão que você empurrou.

Um cuidado consigo que você deixou para depois.

Um movimento pequeno, mas real.

E isso importa porque a mente aprende pelo retorno.

Cada vez que você volta, mesmo devagar, ensina para si mesma:

“Eu posso pausar sem desaparecer.”

“Eu posso desacelerar sem desistir.”

“Eu posso sentir medo e ainda assim permanecer.”

 Essa é uma confiança diferente.

Não é a confiança barulhenta de quem nunca duvida.

É a confiança íntima de quem sabe voltar para si.

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E talvez seja isso que eu esteja aprendendo agora.

Que eu não preciso transformar cada pausa em culpa.

Que eu não preciso transformar cada queda de ritmo em sentença.

Que eu não preciso voltar perfeita para voltar verdadeira.

Eu reduzi o passo, sim.

Perdi o foco em alguns momentos.

Me distanciei.

Fiquei com medo.

Questionei se fazia sentido continuar colocando energia em algo que talvez só fosse grande dentro de mim.

Mas aqui estou.

Mais devagar, sim.

Mas sigo.

Newsletter por newsletter.

Palavra por palavra.

Presença por presença.

Porque desacelerar não é desistir.

E talvez crescer também seja isso: aprender a não sumir quando a vida começa a responder.

Hoje, identifique um micro-sumiço das últimas 24 horas.

Aquele lugar pequeno onde você adiou, atrasou, esqueceu, evitou, respondeu depois ou deixou para amanhã.

E faça o oposto por 15 minutos. Só 15.

Então, comenta aqui embaixo qual micro-sumiço você percebeu em você nos últimos dias?

Quero muito te ler. 👇🏻

Obrigada por chegar até aqui!
Confira os destaques abaixo.
Excelente semana!

O medo fala. A coragem escuta.
Viver com medo também é um ato de coragem.

Forte abraço,

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📩 Sobre a Newsletter Dose de Coragem

️ Escrita por Lúcia Madeira compartilhando experiências e histórias ao redor dos temas: Autenticidade, Vulnerabilidade e Coragem.

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